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Quarta-feira, Maio 03, 2006
Quarta-feira, Março 22, 2006
Paisagens Desconhecidas
Almandrade
Artista Plástico
A vontade de pintar não se esgota, nem mesmo diante de um mundo problemático da arte, onde imaginamos que tudo já foi feito. Se não há mais nada de novo a acrescentar; uma condição domina o fazer do artista: refletir sobre o que aparentemente está encerrado e reensaiar o teatro da pintura. Uma tarefa difícil que exige perícia técnica, referências históricas, experiência, método de trabalho. Qualidades nas quais se apóiam as paisagens de Zivé Giudice. Por isso mesmo elas nos provocam, não sabemos se elas representam a angústia dos centros urbanos. Pouco importa. O que está em destaque atraindo o olhar é a vibração cromática, a materialidade e a atualidade de um velho suporte, que muitas vezes surpreende, pela precisão conceitual, as novas tecnologias utilizadas pelos artistas contemporâneos.
Paisagens densas de cidades desconhecidas, cheias de certezas e incertezas, construídas de gestos bruscos, traços selvagens, manchas e criaturas que flutuam no plano da tela, contrastando com a turbulência do fundo. Um fundo arqueológico, habitado por muitas memórias. Desenho e pintura se misturam e se completam. Uma organização imprevisível fazendo da paisagem o lugar enigmático da pintura, território de muitas curiosidades e muitas histórias. Como se o expressionismo fosse o destino de uma pintura que flerta com os dramas da existência, Zivé exalta a espontaneidade, a experimentação e o desejo de pintar, sem romper os limites da razão pictórica.
A pintura reconstruindo ou restaurando a própria pintura, e o prazer de manusear com liberdade e disciplina os materiais que possibilitam a elaboração de uma paisagem, onde a arte deposita suas desconfianças e suas dúvidas que fazem brilhar a cena do pensamento. As referências figurativas
não são representações do que entendemos como real, são signos, personagens deslocadas ou fantasmas que sobrevivem no inconsciente do artista, ou melhor, da pintura. A ação do artista se impõe transformando melancolia, alegria e humor em ingredientes do penoso ofício de pintor. Do exercício da mão sábia renasce mais uma vez a possibilidade da pintura: a luz, a sombra, a textura e a cor. A pintura sem necessidade de definições.
A Cidade é Bela I, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 155 x 105cm
A Cidade é Bela II, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 110cm
Imagem que se Apazigua com uma Luz Difusa, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 95cm
Jardim das Delícias, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 170 x 105cm
Sermão das Montanhas, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 162 x 110cm
Paisagem I, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 160 x 110cm
Paisagem II, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 150 x 110cm
Paisagem III, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 110cm
O Mundo Visível e a Grafia
Crepuscular de Zivé Giudice
JOHN P. DWYER
Conselheiro da Embaixada Americana no Brasil
O período de mais de duas décadas de convivência e constante comunicação que mantenho com a Bahia, um dos aspectos mais previsíveis de sua expressão cultural e artística é precisamente a sua imprevisibilidade. Há meio século Jorge Amado, a sua expressão máxima dessa cultura, vem falando de um estado de espírito do baiano que vai além do próprio estado físico, definindo o que é o elemento mais complexo do ser humano: o ser interior.
Um dos artistas que mais cumpre com essa missão existencial jamesjoyceana e pública é Zivé Giudice, artista plástico que durante tantos anos constrói a grafia transcendental do seu ser ítimo para a Bahia e o mundo afora.
Quando morava em Salvador, final da década de setenta e princípio dos anos oitenta, conheci rapidamente a obra do Zivé. Ainda jovem, com um pouco mais de 25 anos, Zivé vivia um período de experimentação em todos os níveis. Era um artista da rebeldia interna, um tipo de James Dean cruzando o tropicalismo da Bahia, ainda influenciado pelas magníficas experiências do final da década de sessenta, com grandes momentos culturais e políticos que alcançaram o seu auge com o festival planetário que Wodstoock representou.
No fundo, porém, era óbvio que Zivé Giudice era, na época, um artista profundamente enraizado na cultura baiana. Nasceu em Jitaúna e cursou a Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, onde brotava uma cultura que influenciou toda uma geração artística, tanto o cinema de Glauber Rocha, quanto o "cancioneiro" do protesto de Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros, como a magnífica produção de artistas como Mário Cravo Junior, Calazans Neto, Sante Scaldaferri e tantos outros artistas, que eram pontos de referências inegáveis para jovens como Zivé Giudice, Vauluizo Bezerra, Siron Franco, Sérgio Rabinowitz, Mário Cravo Neto e tantos outros da época que hoje em dia já representam a nova onda de artistas sacramentados no Brasil.
Através desse processo de fomento de um Brasil jovem pós-1964, pouco a pouco emergiu uma nova expressão, robusta, influenciada pela história, mas determinada a encontrar a sua própria voz e vez, a sua própria expressão, para definir as duas últimas décadas do milênio. Era uma geração mais de concertos de rock e de cinema, que dos ateliês, influenciada pela violência e pela ternura das gerações precedentes de Marlon Brando, Jimi Hendrix, os Rollings Stones e outros totens da época.
A consolidação da expressão do Zivé, uma das mais destacadas dessa geração, começa nos meados e ao final da década passada, quando desempenhava funções administrativas em Salvador. Enfrentando o desafio existencial do artista-burocrata, Zivé entregou-se freneticamente a uma viagem ao interior do seu ser. Chega a entender-se como baiano, dentro de um contexto vivencial, na véspera de uma globalização dos símbolos culturais onde o artista, com cada obra, construía a sua participação num diálogo direto com as suas contrapartes no Brasil e fora. Consolidou-se como artista do feio e do belo, da convivência entre o grotesco e o sublime. Hoje, com suas mulheres deitadas em sofás luxuosos (versão moderna do "berço esplêndido" de outras épocas), define sua presença de artista de volume e projeção. Trabalhando com a dificílima técnica de pastel seco sobre papel fabriano da Itália, cria um mundo de suspense, ironia e crítica social.
Radicado já há alguns anos em Brasília, Zivé está mudando de expressão. Continua com a temática da introspecção mas com uma técnica mais madura e mais pessoal. Destaca-se a personagem de um homem em luta com um tronco que adquire dimensões humanas nos diferentes ângulos de acesso na série. Também central nessa nova fase é a figura de outra personagem junto a um sofá, lembrando o relacionamento entre o analista e seu paciente. Acredito que esta grafia de Zivé tem a ver com o isolamento que sente aqui em Brasília, longe da Bahia e mais perto de si mesmo. Nessa expressão vejo a solidão que continua de obras anteriores, um esforço renovado de encontrar-se no mundo dentro de seu quadro.
As cores dessa última fase são realmente impressionantes, lembrando o sol do planalto e os tons que povoam o céu de Brasília no crepúsculo. É nesse encontro do entardecer com a noite, do marrom com o púrpura que nasce o espírito do artista, preso já numa entrega total à arte. Derruba-se o edificio do simbolismo tradicional e abre-se um novo horizonte do mundo visível e a grafia do autor da obra. Aos espectadores resta-nos sentir sua mensagem.
Paisagem III, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 110cm
Quântica Paisagem, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 150 x 110cm
Rossa, Rossa La Cittá, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 100cm
Sublimação da Libido I, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 110cm
Sublimação da Libido II, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 150 x 105cm
Sublimação da Libido III, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 150 x 105cm
Sublimação da Libido IV, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 150 x 105cm
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Terça-feira, Dezembro 07, 2004
Reunião de alguns trabalhos realizados em 2004
Pastel seco e acrílica sobre tela
Dimensões: 1,52 x 94 cm
Pintura I, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 100 cm
Pintura II, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 100 cm
A Cidade é Bela
Exposição INDIVIDUAL realizada no Espaço Cultural POLITEC
de 16 a 30 de junho de 2004 - Brasília - DF
Quem é você, estranha criatura, pintura, imagem poderosa, esfinge eterna a provocar a minha retina, caminhos, rimas, imagem, figura...
Nesse mundo de imagens banalizadas, a apologia do presente é o instrumento da dominacão. Por isso, e sempre, a pintura é subversiva: diante do nosso olhar a imagem se cria como um corpo e se justifica pela sua história. Há, nessa tela, nessa tinta, nessa imagem, algo que me diz: eu trago em mim a marca do tempo, o registro do meu passado e o presente é, aqui, apenas a consagracão de uma série de momentos, de um percurso, de elementos que se acumulam em minha memória, em meu afeto, no meu saber. Essa é a sua verdadeira razão: imagem profunda. A pintura é o corpo e o fantasma desse corpo fez sua morada na minha história. Por isso ela existe, por isso ela é diferente, por isso ela assusta e encanta, por isso ela resiste, por isso ela é libertária.
A força da pintura se afirma, portanto, diante de nós, através da presença de sua história. Aqui, o que vemos são marcos, registros, sinais de uma aventura, vestígios de uma paixão.
Diante da poderosa pintura de Zivé Giudice identifico de imediato a postura corajosa de um artista que soube, ao longo das últimas décadas, construir uma linguagem pictórica contundente e que se insere substantivamente no contexto das artes plásticas de nosso pais. Baiano, as pinturas de Zivé aludem a uma espécie de espírito barroco, palco de contrastes, local onde a realidade e a fantasia se complementam, encanto e eterna beleza dessa terra querida, estação primeira do Brasil. Depois de quase uma década morando em Brasília o artista parece permeável a essa espécie de paisagem da imensidão do centro-oeste do nosso pais. Aqui, impera o espaço e a urbe é a presença do homem a riscar a terra, a retalhar os caminhos, a se abismar com o céu impressionista do cerrado.
Esses aspectos, aliados a uma coerência estética que acompanha o artista desde o inicio de sua carreira, fazem da atual produção de Zivé Giudice um exemplo destacado no panorama das artes no Brasil dos dias de hoje. Ele herdou dos anos 70 uma espécie de integridade ética e conceitual que embasa a sua obra; dos anos 80 ele recupera o compromisso com a figuração, com a elaboração artesanal e com a inserção na tradição pictórica brasileira. Nos anos 90 acentua-se a diversidade de estilos e técnicas, a compreensao de que a arte opera nas frestas do saber e que a pintura e o desenho são instrumentos complementares quando justificados por uma poética comprometida com a construção de um mundo no qual o subjetivo e o objetivo formem um único corpo. Para que possamos, portanto, enfrentar os desafios do futuro, é preciso, cada vez mais, que a arte e a tecnologia se integrem e, nesse sentido, louva-se o esforço de uma empresa comprometida com o futuro a investir nesse diálogo através da construção do Espaço Cultural Politec que vem contribuir para o desenvolvimento da relação entre arte e tecnologia na capital do Brasil.
A cidade é a selva do homem, a cidade é bela. Ela é o palco do teatro humano, o local da festa, da troca, da comunicação. A pintura, para Zivé, é a integração, o registro dessa presença, a ponte a unir épocas diversas, a falar de aeronoves e de rinocerontes, edificios, torres, minaretes, guerreiros, soldados vistos através das brumas da história. A matéria densa, compacta, dialoga com a imagem gráfica, imedita, identificadora; que faz da figura uma presença ativa, território da regeneração. 0 artista dialoga com o universo pop para construir uma obra densa e poética onde aflora a sensação do silêncio de uma época sem utopia. Nas pinturas de Zivé perpassa uma espécie de melancolia suave e o universo poético lírico e infantil parece pressentir a iminência do trágico... o tempo, aqui, é um constante companheiro de aventuras. A criança e o ancião convivem numa espécie de brincadeira com o tempo e com a História, garantindo assim a vigorosa perenidade do ato de pintar. La nave va...
Marcus de Lontra Costa
Rio de Janeiro. Maio. 2004
Exótico Atrator, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 1,52 x 94 cm
Quântica Memória, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 1,78 x 80 cm
A Cidade é Bela II, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 1,47 x 90 cm
A Cidade é Bela I, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 1,65 x 90 cm
Paisagem Matricial "Outra", 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 210 x 90 cm
Paisagem Matricial I, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 208 x 90 cm
Homília da Reconciliação, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 170 x 90 cm
Homília da Imagem, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 165 x 100 cm
Rinocerontes no Azul Crepuscular, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 178 x 140 cm
Jurássica Paisagem, 2004
Acrílica sobre tela
Dimensões: 178 x 140 cm
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